Ricardo caminhava até o carro, preocupado. Ele temia as conseqüências de seus atos, e suas alucinações repentinas com Dulce, seria na realidade o espírito daquela mulher assombrando-o? Não, não podia ser. Não existem essas coisas.
Parado de fronte para seu Ford, Ricardo decidiu ir andando até sua casa, não ficava muito longe dali, e um pouco de caminhada acalmaria os nervos. A idéia de deixar seu xodó, um Ford Galaxie 500, ano 1967, não o agradava, era edição de colecionador, tudo original. Ricardo nem sabe o que faria se acontecesse algo a seu carro, mas quem iria roubar em um IML? E poderiam roubar em qualquer lugar, com ele próximo ou não. E saindo de carro, notariam a falta do mesmo, e logo após de Ricardo, melhor se prevenir.
Ele era um homem astuto e conhecia o local como a palma de suas mãos, passou em lugares onde não seria notado e em pouco tempo estava em casa, subiu as escadas com calma e foi tomar um banho.
A água morna tocando seu rosto tirava a expressão preocupada estampada em sua face, ele ouviu de longe o telefone tocando. Não atenderia, não era nem para estar em casa. Depois de muito tocar, seu celular é que começa a tocar, passou por sua cabeça que podiam estar sentindo sua falta no IML. Terminou logo de tomar seu banho, e sem estar totalmente enxuto atendeu ao celular, era Marina.
Marina era sua noiva, ele não a amava tanto quanto ela o amava, mas ela deixava-o mais feliz, era sua cúmplice e lindíssima, poderia não haver ninguém feita para ele, mas se houver quase alguém, este quase era Marina.
Ela parecia preocupada, não fez rodízios:
- Ricardo, onde diabos você se meteu?
- Estou em casa Marina, aconteceu alguma coisa?
- Mamãe, ela está mal, será que você pode dar uma olhada nela para mim quando sair do trabalho?
- Já a levou para um médico Marina?
- Não, para que, se eu tenho você?
- Marina, leve sua mãe ao médico, eu trato de cadáveres, sua mãe sente dor, sinal que está bem viva!_ Marina confiava muito mais em Ricardo que em qualquer outro, aquilo o deixava extremamente irritado.
- Está certo, está certo. A propósito o que você faz em casa? Liguei para o IML e disseram que você não estava por lá!
- Você fez o que?! Marina, quantas vezes já não te disse para ligar para meu celular quando precisava? Você sabe o que o diretor pensa a respeito de ligações pessoais.
- Acalme-se Ricardo, eles disseram que você devia estar no banheiro, Nonato disse que você tinha dado uma tarefa a ele e que já estava voltando. Afinal, o que faz em casa?
- Esqueci um documento importante, precisava do número dele para elaborar um relatório, já estou voltando. Não conte a ninguém que estive aqui, posso ter problemas com isso, certo?
- Está bem, me perdoe. Mais tarde nos falamos, te amo.
- Eu também, um beijo.
Nunca havia tido uma conversa tão tensa com Marina, aquilo tudo estava tirando-o do sério, precisava terminar com aquela história o quanto antes!
Vestiu logo sua roupa, Marina tinha colocado tudo a perder, agora já haviam notado sua ausência, a sorte é que não havia se enganado a respeito de Nonato, e ele ia mesmo tentar se resolver com Ricardo através de favores.
Voltou para o IML o quanto antes, lá deram o recado de Marina, e agiu por desentendido. Àquela hora estava tudo bem calmo lá dentro, só se ouvia o som da música na sala onde Nonato fazia a autópsia, estranhamente Ricardo sentia um frio na nuca, e dizia a si mesmo que deveria entrar logo, dizia em voz imperativa quase como se não fosse ele e sua consciência. Abriu a porta com calma, e então entendeu o interesse pessoa de Nonato com o caso. Sentiu-se imóvel por um instante com o que estava diante dele, era a pior cena de sua vida. Nonato estava deitado sobre o corpo de Dulce, mantendo relações sexuais com ela.
Ricardo nunca fora traído antes, e se fora nunca descobriu, mas sentiu que aquele era o sentimento de traição. Em sua mente uma voz dizia a ele para punir aquele porco do Nonato, o rapaz não havia notado sua presença na sala. Perto da cena havia as ferramentas para a autópsia, e a música alta, abafava os passos de Ricardo que com intenções assassinas tomou o bisturi em mãos e cravou com precisão cirúrgica na nuca de Nonato, ele não teve reação, Ricardo não sabia como, mas havia rompido uma de suas vértebras sem levá-lo à morte, e em sua cabeça havia uma sensação de missão cumprida. Tudo que ele devia fazer é um mínimo movimento com o bisturi, e aquilo teria fim.
Ricardo detinha o poder da vida de um ser - humano em suas mãos, e sabia o que deveria fazer.
CONTINUA
A forma comoa história se desenrola faz com que fiquemos na expectativa de um novo capítulo...a cada parte a história fica melhor...parabens
ResponderExcluiro_o
ResponderExcluiro melhor até agora D:
Está ficando mto bom!!Bjs
ResponderExcluirNossa' Muito Bom Mesmo' =)
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